O mercado de lutas no Brasil

Eusir Bastos
O mercado de lutas no Brasil

por Eusir Bastos:

Nomes como Eder Jofre, Maguila e Acelino Popó Freitas fizeram história no Brasil graças às conquistas no boxe mundial; hoje, os lutadores de artes marciais mistas do UFC; Anderson Silva, Vitor Belfort e Mauricio Shogun; são os destaques de uma das maiores paixões dos brasileiros: as modalidades de luta. Uma prova das maiores provas deste sucesso foi a edição do UFC Rio, realizado em agosto. Pela segunda vez na história, o Brasil sediou uma edição do UFC (Ultimate Fighting Championship), o maior evento de artes marciais mistas do mundo. Para entender a grandeza do UFC Rio, basta dizer que ele vai movimentou cerca de R$ 80 milhões na cidade carioca.

A visibilidade proporcionada pelo UFC Rio movimentou ainda mais o mercado de lutas no mercado fitness. No exterior, este trabalho vem sendo desenvolvido pelas academias já há algum tempo, porém, no Brasil este é um nicho de mercado que ainda tem muito a crescer. “As artes marciais movimentam milhões e os proprietários de academias no Brasil têm começado a perceber como este mercado é altamente atrativo e lucrativo”, diz Marcelo Oliveira Silva, professor de artes marciais.

Com cerca de 100 alunos em uma academia da Grande São Paulo, Marcelo dá aulas de MMA, jiu-jitsu, boxe e muai thai. “Aumentou muito a procura das pessoas pelas artes marciais; acredito que as academias podem se preparar ainda melhor para receber este público”. O professor alerta que é importante que as academias que pretendem implantar modalidades de luta tenham uma sala de treinamentos adequada. “Você não pode colocar arte marcial ou qualquer outro produto dentro de sua academia sem dar suporte ao aluno, senão você pode acabar perdendo este aluno”, ressalta.

Membro de um grupo da Universidade de São Paulo, que estuda o mercado de lutas no Brasil, o professor afirma que um dos grandes desafios enfrentados pelos profissionais é que por muito tempo as modalidades de luta sofreram preconceito por estarem ligadas à violência. “É importante destacar que a pessoa que pratica artes marciais não tem um comportamento agressivo. Estudos comprovam que crianças hiperativas que têm desafios com agressividade, por exemplo, conseguem se controlar a partir do momento em que iniciam os treinamentos”, diz.

O professor destaca que a praticante de lutas, além de melhorar a resistência e a flexibilidade e tonificar a musculatura, o praticante conquista uma série de outros benefícios. “Nós trabalhamos o aluno de maneira integral, na parte cognitiva, motor e sócio afetiva. Tenho alunos que chegam e são tão tímidos que mal conseguem abrir a boca. Depois de um tempo, pelo contato que o esporte proporciona, eles perdem este bloqueio. Este é apenas um dos muitos benefícios que os proprietários de academias poderiam vender aos seus clientes”, destaca.

Em determinados casos, Marcelo cita que o desconhecimento por parte de alguns gestores torna um desafio a expansão do mercado. “Apresentei muitas propostas em academias e seus gestores se sentiram inseguros em investir em artes marciais”, relembra. Por isso, segundo o professor, é importante que os proprietários de academias encarem as modalidades de lutas como verdadeiros produtos que têm um alto índice de rentabilidade. “Acredito que todo empresário quer que seu empreendimento seja lucrativo e, para isso, é interessante que tenhamos profissionais preparados e bem treinados para todas as funções”.

Marcelo considera ainda que o gestor pode fazer uma pesquisa de mercado para identificar a melhor forma de oferecer os produtos e benefícios de sua academia aos seus clientes. “O mercado está a cada dia mais competitivo, por isso, sugiro que o gestor tenha uma mente mais aberta, esteja antenado no que está acontecendo no mercado e faça cursos de gestão em mercado fitness”.

 

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