A aula de Ginástica com a terceira idade: um desafio interessante

Raul Lorda
A aula de Ginástica com a terceira idade: um desafio interessante

Neste artigo, o colunista Raul Lorda explica como você, gestor ou proprietário de Academia, pode atender de maneira mais produtiva o cliente da Terceira Idade.

por Raúl Lorda:

Há muito tempo venho pensando nestas coisas de ministrar aulas de ginásticas para a Terceira Idade, mas pensando-as do ponto de vista do conteúdo, da dinâmica, das estratégias pedagógicas para um perfil de alunos que requer adaptações e um treinamento especial por parte dos Professores que atendem estas mudanças psicossomáticas.

Sempre tive em conta as diferentes Escolas Ginásticas (leia-se Escola Sueca, Neo Sueca, Natural Austríaca entre outras). Não é que eu tivesse que me ajustar a alguma delas, mas fui misturando umas com outras de tal maneira que combinaram com a minha formação profissional e “meus condimentos”.

Isso sim !, – sempre tive em conta a maneira de apresentar uma aula, ou seja, como ir combinando os diferentes componentes para chegar melhor aos meus objetivos e finalmente, ter uma aula com um balanço interessante, participativo e alegre. Isso é o que faz com que o público retorne contente para a aula no dia seguinte.

No inicio desta coluna, havia pensado em dois títulos:

1º) A AULA DE GINÁSTICA COM TERCEIRA IDADE: um desafio interessante, e

2º) PARA ENTENDER UMA AULA DE GINÁSTICA COM TERCEIRA IDADE

Gosto dos dois, pois para facilitar uma aula temos, sem dúvidas, que entender a sua dinâmica e os diferentes elementos que a compõem. Tentar ser criativo desconhecendo a historia da Educação Física é uma tarefa difícil. Estamos transitando outros tempos, onde é importante termos em conta as novas estratégias de comunicação, assim como aquelas vinculadas ao marketing.

Porque o meu interesse na AULA DE GINÁSTICA?

Simplesmente porque não estou vendo uma estrutura sólida da aula na hora de colocar os conteúdos em prática, e pior: onde, como e quando coloco esses conteúdos?

Como se faz no cinema? Há uma preparação para o desenvolvimento do tema, logo uma parte central onde o conteúdo tem uma estrutura e finalmente, um final, onde o público fica satisfeito… ou não.

Uma caminhada também tem seus elementos: uma preparação para a caminhada (o que a gente conhece como aquecimento ou preparação para a tarefa). A seguir, a caminhada propriamente dita, dentro de uma distância adequada. E finalmente, escolhemos aqueles exercícios que colaboram com uma boa parte final como os de alongamentos, entre outros.

A AULA de GINÁSTICA com TERCEIRA IDADE também tem as suas “partes” a serem consideradas.   

Verão é tempo de fazer ginástica na praia. São múltiplas as ofertas nos calçadões das diferentes praias. Muitos Colegas ministram ali as suas aulas, às vezes as suas primeiras aulas…

Tenho como “vicio” ficar assistindo, olhando, interpretando. Provavelmente os anos de Professor de Prática do Ensino contribuem para este desejo de assistir aulas com sentido crítico.

E acredite…: se vê de tudo !

O que mais se repete é esse quase total desconhecimento da maneira de projetar uma aula, da maneira de ministrar essa aula. Às vezes são 45 ou 50 minutos, todo o tempo em pé. Aplica-se o mesmo exercício para uma faixa etária entre 15 e … uns quantos anos!. Tudo dentro da mesma sacola, com a mesma linguagem, a mesma carga e as mesmas repetições dos exercícios. Isso sim ! – : musica com um volumem bem alto !, como tentando centralizar nesta proposta musical a proposta que o mesmo exercício deveria propor. O que deveria ser uma proposta ordenada aparece agora como um jogo de palavras ou uma mistura estranha de exercícios.

A curiosidade me levou a conversar com alguns dos colegas –  simplesmente limitei as minhas intenções em perguntar se conheciam a Gaulhofer e Streicher, logo se conheciam a Burger e Groll. Eles iniciaram uma proposta de organização da aula de ginástica. Isso foi há muito tempo, é verdade, mas não é possível construir presente e futuro desconhecendo a história.

A aula de ginástica também tem uma Parte Inicial na qual preparo, apresento a ideia, motivo, entusiasmo.  Logo vem a Parte Central, onde vou apresentando os diferentes exercícios que cumprem com os objetivos da aula e finalmente, a Parte Final, onde geralmente tentamos reverter essa onda de fatiga com uma proposta que facilite o caminho para essa calma e alegria de haver participado de uma proposta agradável.

Bem, mas hoje o meu objetivo é motivar para uma procura nas origens do movimento. Entender esse processo para atender uma boa proposta de aula. Então, procure material ao respeito. Eu vou colaborar com um endereço muito interessante:  http://www.efdeportes.com/efd73/gimn.htm

E não deixe de pesquisar o que o Professor Alberto Langlade (Uruguai) escreveu no seu livro “Teoria General de la Gimnasia” em: http://www.librosxp.com/2011/05/teoria-general-de-la-gimnasia.html

E depois sim, crie a sua própria proposta, pois os tempos mudam…

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